Chamo este trabalho de Samambaia. Apropriei-me das cinzas desta planta como matéria prima da minha interação com a natureza especifica do lugar onde a Casadiamantina (CASA-D) está sendo construída.
Para dar lugar à CASA-D, parte da mãe Natura teve que ser sacrificada, ou seja, parte dela, teve que ser extraída de sua matriz. Mas “nada se cria nem se perde, tudo se transforma”.
Isto me conduziu ao mito alquímico da ave fênix. A transmutação e renovação da natureza pela ação do fogo.
O ciclo contínuo da vida que se reinventa infinitamente. A mãe Natura é o laboratório de adaptações inumeráveis, mostrando-nos seu corpo de materialidade flexível e de espírito sempre criativo!
O infinitamente pequeno contém o infinitamente grande. A serpente ouroboros morde sua própria cauda. O fractal e o holograma são o todo contido nas partes que integram Pacha Mama. Nós somos células do corpo planetário.
Samambaia é uma ação instintiva, espontânea, de encontro com o que eu estava procurando sem o saber. Um processo de resposta direta do coração de Gaia ao coração que ela colocou em meu peito. As cinzas são sagradas.
Uma matéria leve e sutil; branda; calma; Um cadinho onde o universo latente pode ser observado antes de qualquer atividade mental.
Interagi com esta formidável substância utilizando uma peça de uma obra minha chamada “pólen” - um universo portátil; ampliando a percepção de espaço.
O céu (o éter) penetra a terra, o fogo, a água e o ar, fecundando tudo.
Num outro momento, num processo de deslocamento desta materialidade, do seu contexto natural; a depositei num aquário esférico de vidro. A esfera contendo o conjunto da unidade potencial dos corpos da natureza é o infinito concentrado num ponto do espaço.
Este trabalho enfatiza meu processo de busca por uma arte que dispensa a necessidade de um discurso intelectual agregado ao objeto, uma arte que seja resposta imediata a questões universais no âmbito de um fazer lúdico, dionisíaco.
A natureza, nossa primeira e única matriz, é a mãe de todas as nossas sensações e percepções; e é o canal para a sabedoria e o entendimento de seus processos intangíveis, etéreos.
A tecnologia que nós criamos, bem como a realidade virtual; podem nos auxiliar no caminho para o cerne do laboratório natural. Porém, o caminho real já está aberto, sempre esteve; é o do coração que pulsa no ritmo do tambor da terra.